Bem, finalizei há um tempinho um trailer de uma possível short fic, e acabei postando hoje no Youtube. Não é uma promessa nem nada, mas quem sabe eu realmente não decida postá-la, né?
Tá aí:
Ainda que distante, senti o ambiente pesado envolver-me. Por
algum motivo não conseguia abrir meus olhos. Como se meu corpo não respondesse
à minha mente. Na verdade, notando bem, quase não posso senti-lo. Minhas pernas
parecem ter evaporado, assim como meus braços e tronco. Como se tudo o que
restara fosse a cabeça. Algo lateja dentro dela. Um barulhinho chato de medidor
de pulsação cardíaca soa lento do lado de fora. Para onde foram tudo e todos?
Por que eu pareço tão fora de órbita?
***
A delegada pegou suas coisas e já passava pela porta de vidro da
delegacia quando alguém chamou-a no fundo da sala.
- Miley?
- Sim? – ela voltou o olhar para a pessoa.
- Eu sinto muito por tudo.
- Tudo bem – suspirou.–
As coisas acontecem.
- Parece que até demais com você.– Miley deu de ombros, sem negar nem afirmar.
Um silêncio incômodo invadiu a sala, e a garota ruiva recomeçou a falar.
- Ah – levantou-se subitamente. – Quase me esqueci. – ela foi
até o armário preto do lado de sua mesa e tirou um pequeno envelope de lá. – Um
homem deixou isso aqui de manhã. Você não estava, e ele quis levar de volta,
mas eu insisti e ele acabou deixando.
Miley pegou o envelope e abriu-o em silêncio. Ela leu o papel
escrito à mão por alguns segundos e disse:
- Fez bem em insistir. Eu tenho que ir. – abriu a porta
novamente e andou rapidamente até seu carro do outro lado da rua.
***
Joe esperou as crianças chegarem da escola do lado de fora da
casa. O ônibus mal apontou na esquina e Ben, Cat e Sophie correram até ele,
abraçando-o pelas pernas.
- Já está pronto, papai? – Cat perguntou enquanto olhava para
ele.
- Na verdade, pequena, precisamos esperar a mamãe.
- Ah, não. Ela vai chegar atrasada e nós vamos perder o filme.
- Não vamos não. Vem, vamos entrar. – Joe deu as mãos para as
duas meninas e Ben seguiu-os até a porta da frente. Joe ligou para Caroline
duas ou três vezes antes de sair de casa com as crianças, sem ela.
***
- Nick! Nick, eu preciso que você me encontre em algum lugar. Mas
tem que ser agora.
- Eu não posso. Estou no trabalho. – ele sussurrou.– O que aconteceu?
- Eu sei o que aconteceu com ela.
- Do que você está falando, Miley?
- Estou falando de Selena. Eu a encontrei. – Nick engoliu em
seco.
- Tem certeza?
- Tenho. Peça uma folga no trabalho e venha para casa o mais
rápido possível.
- Você está aí?
- Sim. Vou arrumar nossas malas.
- Para onde vamos?
- Vancouver. Não se preocupe com as passagens. E Nick, não
comente com ninguém. Eu preciso ir.–
Ela desligou rapidamente o telefone e dirigiu-se para o andar de cima. Entrou
no quarto de Nick e abriu a porta de seu guarda-roupas. Abriu a mala sobre a
cama e colocou nela algumas peças de roupa de Nick. Depois desceu novamente as
escadas e pegou sua própria mala. Enquanto esperava Nick chegar, Miley observou
os porta retratos por algum tempo. Mesmo depois de tantos anos, e mesmo depois
de tudo, Nick ainda guardava algumas fotos de Selena. Teria ele a amado tanto assim?
***
Naquela sexta-feira à noite, Miley e Nick pegaram um avião até
Vancouver. Talvez encontrassem a resposta que há 6 anos procuravam. O que
exatamente aconteceu com Selena?
Joe e as crianças esperaram Caroline acordados até quase onze da
noite, enquanto assistiam a um programa no Animal Planet. Ela não voltou para
casa até amanhecer.
A cada ano que passava, mais distantes as coisas ficavam. A
morte de Selena, o coma de Demi, todas as traições e confusões no passado
ocorridas, tudo parecia mais longe do que costumava ser. Com o tempo, as
pessoas também começaram a se afastar umas das outras. A relação de outras
ficou mais forte. Mas nada nunca voltou ao normal depois daquela manhã de
outubro, quando tudo, finalmente, acabou.
***
Uma última coisa: Se tiver alguém acompanhando, dê um sinal. Vai me deixar feliz. :D
A vida não foi, afinal, tão fácil quanto esperávamos ser. As horas não passam, afinal, tão rápido quanto desejamos que passem. A espera não é, afinal, tão simples quanto dizem que é. Depois de seis anos, portanto, esperar por ela não é mais apenas um desejo. É questão de sobrevivência.
De
todas as coisas que Selena imaginou para si, a única que nunca havia passado
por sua cabeça era ter que dizer adeus. Deu dois passos em direção ao jardim de
sua antiga vizinha e melhor amiga, e colocou na caixa de correio um pequeno
envelopebranco,
uma resposta. Hesitou um pouco, com o coração já saindo pela boca, a garganta
travada por um choro inevitável, a cabeça imaginando mil possibilidades para um
futuro próximo, nenhuma delas boa. E acima de tudo, um desejo incontrolável de
vê-la novamente, de explicar que nada daquilo era real. Nada daquilo era o que
parecia. Não podia simplesmente chegar lá e bater à porta. Era loucura. Mas o
que importava? Que diferença faria se toda a sua vida já era uma loucura?
Loucura a mais, loucura a menos, não traria prejuízo.
Então
respirou fundo, tomou coragem, e correu até a porta. Bateu duas vezes e
esperou. Esperou por um raio de esperança, mas ele não veio. Ninguém atendeu.
Bateu novamente. Ouviu passos. De repente, um sentimento de culpa a invadiu.
Ela não podia fazer isso. Antes que abrissem a porta, saiu correndo. E não
voltou. Era outubro, uma sexta-feira de sol, um dia bonito com uma história
triste. Aquela foi a última vez em que Selena esteve perto de Demi. A última
vez, em muito tempo.
***
Demi
recebeu essa ligação na segunda-feira. Era Miley, pedindo-a que fosse até a
delegacia. Achou um tanto estranho, mas atendeu ao pedido. Joe estava
trabalhando, então foi a pé. A delegacia não ficava muito longe de sua casa, e
uma caminhada matinal não fazia nenhum mal.
Chegou
lá em menos de dez minutos, e logo foi até o escritório da recente amiga, o
primeiro do prédio. Miley pediu-a que se assentasse, e levantou-se da cadeira
atrás da mesa para olhá-la nos olhos quando se assentou na cadeira ao lado da
de Demi.
-
Tenho uma notícia ruim. – começou dizendo. Demi meneou a cabeça, permitindo-a
que lhe contasse a tal notícia.– Na
verdade, eu não sei se deveria te contar assim. Eu... nem sei se deveria te
contar.
- Acho
melhor dizer logo. Estou ficando impaciente.
-
Demi... – Miley pegou as mãos da amiga. -Demi, é a Selena.
- O
que tem? O que aconteceu?
-
Ela morreu. – Miley disse baixinho.
-
O quê? – Desorientada, e não querendo que Miley a dissesse aquilo novamente,
ela saiu, cambaleando, da delegacia. Assim que atravessou a porta de vidro,
ainda tonta por conta da notícia, as lágrimas, que há tanto tempo segurava,
caíram involuntárias. Como poderia superar? E se algum dia superasse, como
viveria sem ela? Desde nascidas, nunca se desgrudaram. E agora, como seria
ficar sem ela durante a vida inteira? Passou a mão em sua barriga enorme. Eram
seu único conforto. Mas pela primeira vez, desde o início da gravidez, quando
olhou para ‘eles’ não conseguiu sorrir. Ao contrário. Só conseguiu chorar.
Pensou
em ir para casa e se aconchegar nos braços de Joe, mas desistiu da ideia.Não
conseguiria andar duas quadras naquele estado. Resolveu se assentar no parque
do outro lado da rua e esperar até Joe chegar correndo e abraça-la. Ligou para
ele. Na emoção do momento, atravessou a rua chorando, com o telefone no ouvido.
Quando se virou, um simples segundo passou a fazer toda a diferença.
-Alô?
– Joe atendeu o telefone. – Demi?
Uma
batida. O barulho estrondoso fez Joe tomar um susto.
-
DEMI? – Como sabia que ela estava na delegacia, pegou o carro e foi voando até
lá. Quando viu o corpo da pessoa que mais amava no mundo inteiro estirado no
asfalto quente, os olhos fechados, uma multidão de pessoas em sua volta, não
teve reação. O mundo parou, e a única coisa que lhe passou pela cabeça foi
aquele dia em que jogava frisbee com Nick, e conheceu o amor de sua vida.
Depois disso, tudo foi perfeito. Até agora.
Atenção: isso não é um capítulo. É
simplesmente um resumo do que aconteceria na segunda temporada caso eu
continuasse.
Nos próximos capítulos, o que descobririam seria:
- Essa não foi a primeira vez que Selena se apaixonou por
Taylor. No passado, na mesma época em que o pai de Demi foi assassinado, na
mesma época em que Taylor se tornara obsessivo por Demi, Selena também gostava
dele. Ela decidiu ficar com ele por causa do passado. Era uma questão de honra,
mais do que simplesmente uma questão de amor.
- O que aconteceu com Swift? Ela morreu. Simples assim.
(Dizem que quando um escritor não sabe que destino dar a um certo personagem,
ele o mata.) Não foi o caso. A morte dela teve um propósito. Uma razão. A morte
dela será a chave para algumas decisões importantes.
- Demi não volta a procurar Selena. Apesar de sentir que
deveria, não se sente confortável com a ideia.
- Depois de saber da morte de Swift, Taylor decide voltar
para Vancouver. Selena decide ir com ele. Eles planejam um plano para que tudo
corra bem.
- Nick se muda para um apartamento no centro de Los Angeles.
Depois de algum tempo, tudo naquela casa o lembrava de Selena, e ele não podia
lidar com isso.
- Miley reencontra Liam, e, apesar de se sentir culpada,
passa uma ou duas semanas com ele. Porém, depois de algumas brigas, ela decide
tentar esquecê-lo.
- Demi e Joe estão bem. Estão tentando superar e seguir em
frente. Porém, a partir de agora será difícil seguir em frente.
- O papel que Demi colocou sob o vaso de flores na casa de
Selena significa alguma coisa. Lembrem-se dele.
Agora é só esperar o último capítulo da
temporada, que eu posto daqui a alguns minutos. E depois vem – em capítulos de
verdade – a terceira temporada, que já estava escrita.
“-
Tudo bem então. Não demore. Te ligo em algumas horas. Te amo.”
“Virou-se e saiu do quarto, descendo as
escadas. A porta estava aberta. Ela estranhou algo colorido na sala sempre
cinza: flores.”
“- ONDE ELA ESTÁ? –
ele pegou as chaves do carro e foi até a varanda, batendo a porta. – Vamos,
você vai me levar até ela. – Ele disse quando Selena foi atrás dele.”
Continua…
Taylor havia saído de casa sem Selena. Ela
insistiu que não sabia onde Swift estava, mas disse que ela havia ido embora de
vez.
- Não vai adiantar ir atrás dela. O que você
pode fazer? É a vida dela. Ela decide.
- Eu não quero saber o que ela decide e se ela
decide. Eu ainda vou atrás dela. E se eu descobrir que você sabia onde ela
está, é melhor ir embora também.
Selena entrou em casa, ignorando o comentário de
Taylor. E então se lembrou das flores. Caminhou até a mesinha do telefone, e
tocou o vaso. Embaixo dele, havia uma folha de papel. Puxou-o com cuidado e
começou a ler.
***
O celular de Demi começou a vibrar sobre o
banco. Há duas horas ela estava assentada em um banco gelado na praia mais
distante de casa que pôde imaginar. A tela do aparelho dizia “Joe”, e revelava
uma foto em que ele olhava para baixo, a gravata borboleta torta sobre a camisa
branca. Ela atendeu.
- Oi amor.
- Oi. – ele disse lentamente. – Está tudo bem?
Eu já cheguei em casa. Você não está aqui. – ela riu.
- É, eu não estou aí. – Ela fez uma pausa. –
Joe, você pode vir me buscar?
- É claro, meu amor. Onde você está?
- Em Nicholas Canyon.
- O que foi fazer aí?
- Só... Pode me buscar?
- É claro. Já estou indo. Eu amo você. – E
desligou.
Demi continuou olhando para o oceano, e pensando
no que faria a seguir. Pensando no que sua vida se transformaria a partir de
agora. E principalmente, pensando se Selena havia lido a carta.
***
“Uma
vez ouvi em algum lugar – não me lembro exatamente onde – que um dia a mais com
a pessoa errada é um dia a menos com a pessoa certa. Acho que foi uma amiga,
Alicia, que me disse. Pensei nisso por algumas semanas, e no fim das contas
acabei relacionando a frase com você. Você, e eu.
E
eu queria fazer uma promessa. Uma promessa de não passar dia nenhum com a
pessoa errada. Eu tenho absoluta certeza que você é a pessoa certa. Você vai
ser minha melhor amiga para sempre, Demi. E eu pensei em fazer um juramento. De
nunca me deixar. Não pela pessoa errada. Eu também vou fazer. Dos sérios.
Pensa
nisso. Te amo, te amo, te amo!
Selena.”
Selena fechou o papel e caminhou até
o sofá, com ele nas mãos. Assentou-se. Ela colocou-o sobre a mesa de canto ao
lado. Era isso. Ela não poderia se sentir pior. Quebrou a promessa que ela
mesma havia criado. Criou uma promessa que não podia cumprir. Decepcionou uma
das pessoas que mais importavam em sua vida. Ela tinha que acabar com isso.