Angeline
The story of a guy that figured out love
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“Bom dia! Muito atrasado?” Cumprimentei os outros integrantes da banda, que, como sempre, faziam cara feia para mim. “Só um pouquinho.” Um deles respondeu, irônico. “Ok. Temos muito o que fazer. Podemos começar?” Harry, meu melhor amigo, e guitarrista da O.F.G., nome dado por mim, mas apenas aceitado pelos outros, franziu o cenho e perguntou: “Escuta, Scott, sei que está muito.” Louis o interrompeu. “Até demais.” Harry continuou: “Entusiasmado com essa coisa toda de turnê, e blá-blá-blá, mas nós conversamos, e achamos melhor ir com calma. A música é só um passatempo para nós. E, se não concordar, talvez possa seguir carreira solo...” Enquanto Harry falava algo sobre carreira solo e potencial, eu olhava completamente distraído para o outro lado da calçada. Estávamos assentados em cadeiras brancas, e mesas com toalhas de mesma cor, em um tradicional restaurante na cidade de Bakersfield, na Califórnia. Ela estava lá. Com aquele vestido vermelho esvoaçante, e sapatilhas cor da pele. Tinha o cabelo solto, que voavam com a brisa. E eu estava hipnotizado antes que pudesse perceber. E eu estava apenas confuso. Ela era tão linda, mas ao mesmo tempo tão... misteriosa. Era como se anjos beijassem seu rosto. Não podia ver seus olhos, mas ela sorria largamente quando olhou para mim. E, por um longo momento, eu parecia estar perdendo o fôlego.
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“It's 4 AM, I can't rest. It's all your fault, yeah, I guess that I'm just falling, I'm falling awake.”
São 4hs da manhã, não consigo dormir. É tudo culpa sua, sim, acho que só estou sonhando, sonhando acordado.
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Bem, por mais estranho que pareça, me apaixonei por uma completa estranha hoje pela manhã. E não a consigo tirar da cabeça. Talvez seja mesmo só um sonho.
Fui até a cozinha, tentando tirar aquela imagem de perfeição de minha cabeça, e olhei para o relógio. Quatro horas. Da manhã. Foi aí que percebi o que ela realmente havia feito. Um estrago no meu peito. Eu nem sabia seu nome, não sabia absolutamente nada sobre ela. Só sabia que tinha me apaixonado, e que a desejava e precisava dela mais do que tudo. Também sabia onde a vi, e quando. E isso era tudo.
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“How could I ever forget that place and that time?”
Como poderia esquecer aquele dia e lugar?
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O tempo se passou, e me sentia cada dia mais apaixonado. As vagas memórias daquela garota passavam como apressados relâmpagos pela minha mente. Tudo era relativamente normal, exceto pela compulsiva paixão que sentia por uma completa estranha. A estranha de cabelos dourados que voavam com o vento. A estranha mais linda já conhecida por qualquer um na face da terra.
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Em uma comum manhã de domingo, voltei ao restaurante em que a vi pela primeira vez, até então. Não sabia exatamente o que fora fazer ali. Talvez buscar alguma pista de onde ela possa estar. Mas muito provavelmente tentava reviver aquele momento. Perder o fôlego novamente, e me apaixonar uma segunda vez. Mas dessa vez, não deixaria um ponto de interrogação me dominar, e nem um vazio em meu peito. Iria até ela, e resolveria tudo.
Enfim... Naquela manhã de domingo, quando quase dois meses haviam se passado, e, praticamente acreditava que não poderia nunca revê-la, isso aconteceu. Desde a última reunião com a banda, quando tudo foi desfeito, e resolvi levar minha vida por outro caminho, quando a vi, e me apaixonei, nunca mais voltara ao tal restaurante de toalhas brancas. Isso me fez perceber que, talvez, ela frequentasse aquele lugar. Por causa deste pensamento, me forcei a não falar com ela enquanto a observava a alguns metros de distância ainda mais linda do que na primeira vez. Ela lia um romance de Nicholas Sparks, e acho que percebeu que eu a estava observando, porque olhou para mim com um sorriso um pouco menor do que o primeiro, mas ainda assim sorria. Novamente, como se pudesse imaginar e forçasse meu corpo a obedecer, perdi o ar e olhei no fundo de seus olhos, por mais longe que estivessem.
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Durante os dois domingos seguintes, fui até o restaurante com a esperança de encontrá-la, e sempre o fazia. Ela sempre estava lá, lendo um livro, na mesma mesa de sempre. Às vezes me fitava, como se soubesse meu estado apaixonado, e sorria. Então, de repente, no terceiro domingo, ela veio até minha mesa, e perguntou se podia se assentar. Assenti com a cabeça e ela tomou o lugar ao meu lado. Fitou o chão sem tirar o sorriso característico dos lábios e depois olhou para mim. “Acho que só olhares não são mais suficientes.” Ela sorriu. “Qual o seu nome?” Completou. “Scott. Scott McKinley.” “Prazer. Angeline.”
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“When you're here I have everything, my sweetest Angeline.
What ever this life may bring, your hand will be in mine.”
Quando você está aqui, eu tenho tudo, minha doce Angeline.
Seja como for essa vida, sua mão estará na minha.
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Acho que, depois de três anos juntos, o mínimo que poderia fazer é pedi-la em casamento. Afinal, nos amamos e quero tê-la para sempre, assim como quero que ela me tenha. Então, no nosso dia, no nosso lugar, fiz o pedido. Uma manhã de domingo. O restaurante de toalhas brancas estava relativamente cheio no dia escolhido. Meados de julho. Ela usava um vestido branco cuidadosamente bordado à mão. Pequenos desenhos de flores na borda. Era meu aniversário, e o presente que queria era um sim, e um beijo, quem sabe.
Como disse, o restaurante estava cheio, e quando me ajoelhei em sua frente, ela levou a mão à boca, e sentia olhares pousados sobre nós. Sorri com a ideia de testemunhas presenciando um momento tão bonito. Mas, para ser sincero, estava tão nervoso que nem percebi que uma lágrima escorria de seus olhos. Comecei, finalmente, a dizer: “Ei, Angel, você se lembra de quando nossos olhos se encontraram pela primeira vez? Acho que não sabe, mas foi como se eu estivesse perdendo o fôlego. Você vestia um vestido vermelho, do qual eu nunca me esqueci. E sorriu para mim como se eu fosse a última coisa à qual pudesse se apegar. Quando você está aqui, eu tenho tudo, minha doce Angeline. E seja como for essa vida, sua mão estará na minha. Às vezes, as estrelas se alinham e eu sinto isso. Por isso, eu quero te fazer um pedido.” Tirei do bolso de trás da calça, uma pequena caixinha de veludo, e abri a tampa para que Angeline pudesse ver o anel de brilhantes. “Angeline Vega, casa comigo?” Ela sorriu, boba, finalmente retirando sua mão da boca. “Eu seria uma idiota se dissesse não.” Ela praticamente pulou nos meus braços e me abraçou tão forte que realmente pensei que eu fosse a última coisa à qual ela pudesse se apegar. Ouvíamos os aplausos e gritinhos, e até soluços característicos de um choro compulsivo vindos da plateia. Quando ela me soltou, eu sussurrei para que apenas ela pudesse me ouvir: “Eu prometo que vou te fazer a mulher mais feliz do mundo, e que para mim, você vai ser sempre a menina do vestido vermelho esvoaçante.” E então ela me beijou. Pronto. Já tinha meu presente de aniversário. A mulher mais linda do mundo. Minha mulher mais linda do mundo.
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“We don't come from a dime. But everything will be just fine. It's a 2 hour drive down the road to Anahein. It's my birthday, where we started everything.”
Estamos sem um centavo. Mas tudo vai ficar bem. Estamos a 2 horas de Anahein. É o meu aniversário, onde tudo começou.
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“Tudo vai ficar bem. Ok? Você confia em mim?” Sussurrei para ela. Tive um movimento positivo de cabeça como resposta. O silêncio prevaleceu dentro do carro, e alguns segundos depois ela soltou um som agudo e abafado dos lábios. Provavelmente de dor. “Tudo vai ficar bem.” Repeti, enquanto passava minha mão esquerda no cabelo ondulado dela.
Era meu aniversário, onde tudo começou. Dois anos se passaram, já podia notar alguns fios grisalhos em meus cabelos. Cinco anos e sete meses desde que aquele lugar e aquela data ficaram marcados para sempre em minha mente, e meu coração. Como poderia esquecer? Havíamos nos casado há exatamente um ano e nove meses. Três meses depois do pedido. Agora Angeline esperava nosso primeiro filho. Filha, para ser mais específico. Julianne. A linda Julianne. O pequeno anjinho pelo qual eu seria responsável pelo resto de minha vida. Prometi a mim mesmo que não a deixaria nunca cair. Que nada a faria mal enquanto eu tivesse forças suficientes para respirar. Prometi que a protegeria de tudo. Um braço quebrado, um pesadelo, ou mesmo um coração partido. Prometi a mim mesmo que a amaria mais do que eu fosse capaz de amar alguém. Prometi que ela seria a última coisa à qual eu pudesse me agarrar quando alguma fraqueza teimasse em me destruir. Prometi que a partir deste momento, ela seria a minha vida.
Minha Angel estava no nono mês de gravidez, e a bolsa havia estourado há aproximadamente vinte minutos. Estávamos na estrada em direção à Anahein quando isso aconteceu. Tentei ir o mais rápido possível, mas, em suas condições, não era exatamente aconselhável correr à cento e dez quilômetros por hora, não é mesmo? Acho que não. Então, quando já não aguentava mais ouvir os gemidos e gritos saídos de sua garganta, parei o carro no acostamento e ajudei-a a passar para o banco de trás do carro. Nessa hora, lágrimas já estavam formadas em meus olhos simplesmente porque não aguentava vê-la sofrer. Uma mulher parou o carro do outro lado da pista sem muito movimento, com ocasionais carros passados a cada dez segundos. Ela veio com uma expressão preocupada até nós. Percebi que um homem havia ficado no banco do motorista do carro dela. Ela estava totalmente vestida de branco. Devia ter uns cinquenta e cinco anos. Provavelmente era enfermeira. Agradeci silenciosamente a Deus por nos mandar tal ajuda no meio do nada. Ela apressou o passo quando olhei para ela com lágrimas escorrendo pelas bochechas. “O que foi?” Perguntou. Depois olhou para dentro do carro. “Ai meu Deus, ela está em trabalho de parto?” “Sim.” Respondi. “Há quanto tempo?” “Quase meia hora.” “Olha, se ela não aguentar esperar uma ambulância, o que é bem provável, porque, você sabe...” Ela olhou ao redor. “Vamos ter que fazer o parto aqui.” Completou, e logo depois notou uma súbita sensação de terror e medo nos meus olhos. “Não temos escolha?” Perguntei. “Chamou uma ambulância?” Ela perguntou. Fiz que não com a cabeça. “Esperava seguir viajava até Anahein.” Ela me olhou espantada. “Fica a duas horas.” “Onde é o hospital mais próximo?” “Provavelmente em Santa Clarita.” Ela respondeu. “Isso é muito longe.” “Bem, a não ser que queira ter seu filho em um hospital de cidadezinha de beira de estrada, vai ter que esperar. Ou podemos fazer o parto aqui, agora.” Angeline levantou o pescoço, a agitação e a dor estampados nos olhos verdes. “Desculpa, qual é o seu nome?” Perguntei. “Elizabeth. Banks. Elizabeth Banks.” Não sabia por que motivo, mas esse nome me era familiar. “Por acaso é enfermeira, Elizabeth?” “Sim.” “Tem experiência com partos?” “Uns seis, a vida inteira.” “É o suficiente. Do que precisamos?” “Não é bem assim. Primeiro chamamos a ambulância. Pode esperar um minuto? Tente acalmá-la, Scott.” Ela sorriu enquanto atravessava a pista correndo até o carro.
Tomei um susto. Como ela sabia meu nome?
Ainda estava parado tentando raciocinar quando ela voltou com o celular nas mãos. “Parece que é de família azar com partos.” Considerando que já chorava à essa altura do campeonato, desabei completamente em lágrimas quando ela disse isso. Agora me lembro. Mamãe. “Como ela era?” Perguntei. “A mais linda pessoa que já conheci.” Não pude evitar olhar para Angeline. Será que o acontecimento se repetiria? Não suportaria perdê-la. Nunca fora tão forte quanto meu pai.
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“And I'm still a mess with that girl in that sundress, as I promised. We'll always be you and me.”
E eu ainda sou aquele confuso com a menina usando aquele vestido, como prometi. Sempre seremos eu e você.
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Podia não ser o mais forte. Podia não ser o mais puro. Podia não ser o mais santo. Podia não ser o mais belo. Podia não ser o mais sincero. Podia não ser o mais corajoso. Podia não ser o mais amoroso. Mas sabia melhor do que ninguém que eu era o melhor em cumprir promessas.
Era vinte de julho. O nosso dia. Felizmente, as pessoas que resolveram comer no restaurante de toalhas brancas nessa triste manhã de domingo não teriam que suportar a cena passada diante de minha cabeça.
Um caixão de madeira escura foi colocado cuidadosamente em cima de uma espécie de mesa feita especialmente para isso. A igreja tinha um leve ar de felicidade por conta da decoração com flores do campo. As preferidas de Angeline.
Fui até o caixão destampado e toquei sua mão gelada e morta. E então comecei um leve sussurro em forma de uma quase canção.
“Eu prometi que iria te fazer a mulher mais feliz do mundo, e que para mim, você iria ser sempre a menina do vestido vermelho esvoaçante, não foi, Angel?” Parei por um momento para escolher as palavras, apesar de saber que ela não podia me ouvir. “Espero ter cumprido minha promessa. E eu ainda sou aquele confuso com a menina usando aquele vestido, como prometi. Sempre seremos eu e você.”
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Dez anos depois...
“Papai, como a mamãe era?” Julianne me perguntou assentando-se no meu colo. “A mais linda pessoa que já conheci. Ela era... compreensiva, carinhosa, amorosa. Perfeita. Para mim, ela era perfeita.” Ela sorriu com a minha resposta, e logo depois acrescentou: “Papai, você acha que eu tive culpa na morte dela?” Coloquei-a no chão, e olhei abismado em seus olhos. “É óbvio que não, anjo. Como assim? Escuta, sua mãe morreu porque ela era frágil e pequena.” Dei um pequeno sorriso. Ela também.
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As muitas lágrimas que derramei nunca serão capazes de descrever a dor que até hoje sinto. Quando, afinal, essa dor vai passar? Provavelmente, muito provavelmente, nunca.
Depois de encontrar Elizabeth naquela estrada/deserto, tivemos realmente que fazer o parto no carro, por mais apertado que fosse. Julianne nasceu com vida, graças a Deus. Mas Angeline... Minha doce Angeline. Seja como for essa vida, sua mão estará na minha. E ainda que a vida não seja, você estará para sempre em meu coração.
Só tenho mais uma promessa a fazer:
Em cada segundo que eu pensar em você, em cada momento de fraqueza, em cada ilusão, em cada dia em que o sol nascer e se por, você será minha, e eu serei teu. Para todo o sempre, minha doce Angeline.
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“And I remember when our eyes first met was like taking my first breath. How could I ever forget that place and that time?”
Lembro quando nossos olhos se encontraram pela primeira vez, foi como se eu estivesse perdendo o fôlego. Como poderia esquecer aquele lugar e dia?
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FIM
...
Oi minhas gatinhas.
Bom, a história é a seguinte: o especial super -
especial que estava planejado para ser postado ontem não ficou pronto a tempo. Então, eu decidi postar Angeline hoje, e no mês que vem ou em agosto postar o especial,
porque tem que ser em um dia específico. Tudo bem para vocês? Espero que sim.
bom, como todo mundo parece estar super ansioso para o capítulo 24, vou
postá-lo hoje a tarde. Ah, e não esqueçam que hoje sai o resultado do concurso
de afiliados! Torçam muito, e não percam essa última oportunidade de pedir
votos!
Beijos infinitos!
Amo muito vocês!
letícia






