15 de jan de 2013

Possibilities

Possibilities


Leia ouvindo: [aqui]

“Dançávamos sem música pelo salão... Ele não é um príncipe? Um perfeito príncipe encantado!”

 

- Talvez... Devêssemos fazer isso mais vezes. – disse sorrindo, enquanto parávamos de dançar, e olhei no fundo daqueles perfeitos olhos azuis.

- Sempre, baby! – ele retribuiu o sorriso.

- Anjo? – me sentara na poltrona vermelha de papai.

- Sim? – ele olhou para mim e se sentou na poltrona ao lado.

- Quais são as possibilidades de sermos felizes para sempre?

- Todas do universo. Como você mesma diz, o céu é o limite, e o amor consegue ser maior do que isso. Não é?

- É. – disse impressionada por ele saber tanto sobre mim.

- O que vamos fazer hoje? – ele mudou de assunto.

- Que tal irmos ao Deck?

- Seria perfeito!

- Já é perfeito. Isso só torna mais.

- Então está combinado. – ele se levantou, pegou seu paletó no cabide e me deu um selinho. – Eu amo você!

- Não me diga? – disse sorrindo.

- Digo quantas vezes for preciso!

- Infinitas? – agora olhava para baixo, com as mãos para trás.

- Infinitas. – ele levantou meu rosto, sorrindo. E saiu. Fiquei o observando da janela, por uma fresta na cortina branca. Ele olhou para trás e acenou. Sorri e beijei a vidraça, deixando uma marca de batom vermelho. Quando foi embora, saí dançando pela sala, balançando a barra do vestido rodado e pensando nele. Claro. Isso era impossível deixar de fazer. Ele. Ele... Era tudo o que eu queria, tudo o que eu não merecia, e tudo o que eu tinha. Nos conhecemos há três anos. Eu estava na cidade com meus pais para visitar alguns parentes que moravam aqui. Na época, ele trabalhava em um café perto da praia. Eu tinha só uns dezesseis anos. Não sabia absolutamente nada sobre a vida. Mas mesmo assim, encontrei a peça que faltava no meu quebra-cabeça. Tudo bem, também não sei muito agora, mas mesmo assim continuo o amando como se fosse aquela linda tarde de domingo, em um mês de novembro, quando entrei no café e me sentei em uma mesa vazia no canto. Um lindo garoto de olhos azuis e cabelo levemente bagunçado veio até mim enquanto limpava suas mãos no avental manchado de café. Ele tirou do bolso do avental um bloco de papel e uma caneta. Olhou para cima, e nossos olhos se encontraram. Uma sensação estranha tomou conta de todo o meu corpo. E ele sorriu. Foi aquele sorriso que me fez acreditar pela primeira vez na vida que existia amor à primeira vista. O tempo passou... E voltei para minha cidade. Só estava de passagem por lá. E nada aconteceu entre nós. Mas não conseguia o tirar da cabeça. Fiquei por mais de um ano pensando nele, apenas o tendo visto uma vez. Não sabia nem o seu nome. Mas em uma triste madrugada de Janeiro, um acidente aconteceu. Meus pais foram atingidos por uma carreta na contramão, enquanto voltavam do casamento de uma prima. Ela não resistiu. Meu pai ficou tão abalado que não saia mais de casa. Não fazia mais nada. Ele ia trabalhar e voltava para casa. Foi então que a pior coisa que já me aconteceu, se transformou na melhor. Nos mudamos para Sea side. Assim ficaríamos mais perto da família, o que nos ajudaria a superar. Mas não foi só isso que me ajudou a superar. Depois de infinitos sonhos e meses pensando em apenas uma pessoa, eu finalmente o encontro novamente. Foi um pouco inesperado, mas inesquecível. Estava andando pela rua, quando passo em frente ao Deck: o tal café em que ele trabalhava quando nos conhecemos. Estava enorme. Haviam o transformado em um grande e luxuoso restaurante. Mas uma coisa não estava em seu lugar: o amor da minha vida não estava lá. Tirei um pequeno papel de dentro da minha bolsa, onde estava escrito: “Quais são as possibilidades?”. Havia escrito essa frase quando era pequena. Assim que aprendi o significado da palavra na escola. Gostei tanto que decidi usá-la como minha filosofia de vida. O papel branco já se tornara amarelo há muito tempo. Mas me servia como conforto. Sempre que o mundo parecia estar desabando. Foi quando o vi. Lá. Parado olhando para mim. Ele sorria. Não sei como, mas isso parecia mais confortante do que minha frase. Aquele sorriso. Ele estava totalmente diferente. Seus olhos azuis continuavam azuis como o oceano, seu cabelo loiro e bagunçado continuava loiro e bagunçado. Mas ele não tinha mais o avental manchado de café. E nem nenhum outro. Agora andava de terno e gravata e parecia tão mais... perfeito.

- Voltou para a cidade, garota mistério? – ele me perguntou enquanto atravessava a rua. – Posso perguntar o seu nome, depois de um ano pensando em você?!

Um sorriso involuntário brotou nos meus lábios.

- Alicia Baker.

- O nome é tão belo quanto a dona. – ele sorriu – Estou só brincando. Benjamim Adams. – ele se curvou como em uma reverência, com uma das mãos nas costas. Sorri e segurei as duas pontas da minha saia, colocando um pé atrás do outro e dobrando os joelhos, como uma dama. - É um prazer finalmente conhecê-la.

Tudo bem... Quase não me contive quando ele disse isso. Ele esteve pensando em mim? Ele esteve pensando em mim.

- Por que o terno e a gravata?

- Terminei a faculdade. Não preciso mais trabalhar no café. – ele virou a cabeça e apontou para o estabelecimento.

- Acho que temos muito o que saber um do outro.

- Que tal um café?

Eu sorri.

- Posso? – ele disse dobrando o braço e apontando o seu cotovelo para mim. Encaixei nossos braços e fomos em direção ao restaurante.

Depois daquele dia, começamos a namorar. Ele me pediu em casamento um ano e sete meses depois. E foi aí que paramos.

Três meses depois...

- Bom dia, anjo! – disse enquanto o via entrar pela porta branca de minha casa.

- Bom dia. – ele disse frio. Estranhei. Ele nunca me dava só um bom dia. Sempre trazia flores, me beijava, ou aparecia com balões coloridos. Mas sua expressão era de preocupação.

- O que aconteceu? – perguntei, me sentando ao seu lado no sofá. Ele só balançou a cabeça, negativamente.

- Estou indo embora.

- Perdão?

- Eu vou te deixar, meu amor.

- O quê? – lágrimas brotaram em meus olhos já vermelhos. – Como assim?

- Vou voltar para a Europa. Vou... Estar melhor lá. – ele se levantou, e como todas as vezes em que vinha em minha casa, tirou o paletó do cabide, mas não me beijou. Simplesmente saiu pela porta, me deixando desconsolada chorando no sofá, sem nenhuma explicação para a cena passada. Me deixei levar pela angústia, e fiquei como papai: perdi a pessoa que mais amava no mundo, por um motivo desconhecido. Meu mundo caia. E dessa vez nem minha frase poderia me salvar. Caia e caia cada vez mais. Quais eram as possibilidades? Certamente essa estava descartada da minha lista. Mas aconteceu.

Anos depois...

- Certo... Certo... Estarei lá. – desliguei o telefone, e sorri. Sorri como nunca havia sorrido antes. Ele voltara. E queria me ver. Deck. Em uma tarde de domingo, em novembro.

Alguns minutos depois...

- Filha, qual? – olhei para Melanie, perguntando-a com qual vestido iria re-encontrar o meu anjo.

- O azul. Te deixa com cara de menina.

- Então é o azul. – sorri para ela. – Obrigada. Por me fazer cada dia mais feliz. – ela retribuiu o sorriso.

No Café onde tudo começou, em uma tarde de domingo, em um mês de novembro...

Sentei-me na nossa mesa. Apesar da transformação, ela ficara no mesmo lugar. O vi entrando. Ele estava lindo como sempre. Seus olhos azuis continuavam azuis como o oceano, seu cabelo loiro e bagunçado continuava loiro e bagunçado. Sorri e olhei para ele. Ele olhava para mim. Veio andando até a mesa no canto, e beijou minha testa.

- É você mesma... – ele parecia emocionado. 

- Sim... Sou eu. Está tão... Diferente. Como vai a vida? Me diga, como vai a sua família?

Faz tempo que não os vejo.

- Estão bem.

- Ótimo. Então... Posso te perguntar uma coisa?

- Qualquer coisa. – ele disse, perfeito como sempre.

- Por que se foi?

- Porque um dia a mais com a pessoa errada, é um dia a menos com a pessoa certa.

- Não era a pessoa certa?

- Isso nunca vamos descobrir. - ele sorriu. A única coisa mais reconfortante do que minhas possibilidades. –Ainda tem sua frase no bolso?

-Sempre. Acha isso uma bobagem, não?

- Todas essas possibilidades estão escritas nas estrelas. Nós somos quem somos, querida. E eu não posso deixar de pensar que , possivelmente,  há possibilidade. – Sorri. Ele gostava de citar canções. E essa era a minha preferida.

- E então, encontrou a pessoa certa?

- Talvez... E você?

Coloquei minha mão esquerda sobre a dele. Ele a olhou, e sorriu.

- Se casou?

- Vai fazer 8 anos.

- Uau! Como o mundo dá voltas! – ele riu – Fico feliz por você! Mas independente de tudo, eu só quero que saiba, que você vai sempre ser a melhor coisa que já me aconteceu. E eu ainda te amo. Posso não te amar da mesma maneira que te amei anos atrás, mas te amo simplesmente porque você me ensinou que o céu é o limite, e o amor consegue ser maior do que isso. Não é?

- Sim, anjo! Meu para sempre anjo!

Fim

Ou não... Quais são as possibilidades, afinal?

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E aí, colegas!!

Bem, essa é uma fic antiiiiga, que eu escrevi há muito tempo (faz sentido). Depois de tanto tempo prometendo e prometendo, resolvi de uma hora para outra que queria postá-la, já que o blog anda super parado, né?

Provavelmente vai continuar assim por mais um tempinho, até a vida voltar ao normal, né?

Então é isso. Comentem.

Beijo. Leca.

 

4 comentários:

  1. Hey hey sweetheart!
    wow... fiquei pasma quando ele a deixo tipo, do nada!
    'Porque um dia a mais com a pessoa errada eh um dia a menos com a pessoa certa' ... ha tantas coisas a que ele podia ter se referido, qual foi a que ele realmente se referiu quando tu escreveu a minific?
    Amei, pois cada um entende o motivo e a hist. com olhos diferentes.

    xoxo

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    1. Hey bebê!
      Pois é, né... Nada ver. Hahaha.
      Mas, como a última frase disse, nem tudo termina assim, tão mal explicado. É só esperar mais um tempinho que as coisas vão ficar bem claras.
      :D
      Te amo, viu, sua linda?!
      Bexo!!!
      Leca. <3

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  2. OI OI OI
    POXA ACABOU?? COMO ASSIM?
    AFF'
    SUAS FICS SEMPRE SÃO PERFEITAS.... SINTO FALTA DE CONVERSAR COM VC, AINDA ÉS MINHA AMIGA OOK? <3

    MAIS ENFIM, BEBEZINHA VC ACABOU DE GANHAR UM SELINHO!!!

    http://aila-aillinha.blogspot.com.br/p/selinhos.html ( O SEU É A SEGUNDA IMAGEM)

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    1. Hey linda!! Há quanto tempo a gente não se fala, né? precisamos conversar mais.
      Bem, não exatamente. Eu já tenho uma surpresinha relacionada à essa fic pronta, que eu devo postar em breve.
      E ah... obrigada! São comentários assim que me fazem querer ficar cada vez melhor.
      E obrigada pelo selinho, gata!!
      Te amo, viu?
      Bexo!!!
      Leca. <3

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